Taxonomia de Finanças Sustentáveis da Febraban
A consolidação das finanças sustentáveis como eixo estruturante dos sistemas financeiros contemporâneos requer instrumentos que permitam traduzir compromissos públicos e privados, marcos regulatórios e critérios técnicos em decisões financeiras concretas e consistentes. Em vista disso, as taxonomias de finanças sustentáveis tornaram-se fundamentais para a orientação da alocação de capital, na gestão de riscos socioambientais e climáticos, na estruturação de produtos financeiros e na construção de uma linguagem comum que permita análise técnica comparável dos portfólios financeiros.
No Brasil, a sofisticação do sistema financeiro e a diversidade das operações bancárias requerem instrumentos operacionais que permitam traduzir referenciais taxonômicos em práticas aplicáveis e que essas sejam compatíveis com os diferentes níveis de maturidade das instituições financeiras (IFs) em finanças sustentáveis.
Nesse contexto, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) lançou, em 2026, a nova Taxonomia de Finanças Sustentáveis da FEBRABAN, atualizando o modelo pioneiro desenvolvido pela entidade há mais de uma década. O processo de evolução da Taxonomia Verde da Febraban para a Taxonomia de Finanças Sustentáveis da Febraban (Taxonomia Febraban) foi estruturado com os seguintes propósitos:
- oferecer ao setor bancário um instrumento técnico mais acurado, harmonizado com atualizações recentes de outras taxonomias utilizadas como referência, além de operável e interoperável com outras taxonomias nacionais e internacionais e adaptado às especificidades da intermediação financeira e às necessidades práticas do setor bancário;
- atuar como ferramenta de monitoramento setorial, permitindo acompanhar a evolução no tempo do crédito direcionado a setores elegíveis; e
- promover o alinhamento progressivo do setor bancário à Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB).
Para alcançar esses objetivos, a Taxonomia Febraban contempla métodos de classificação por atividade econômica, com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), e por linhas e subprogramas públicos, federais e estaduais, elegíveis por sua contribuição ambiental, climática e/ou social. Esses métodos não impedem a adoção de outros critérios ou camadas de classificação complementares, de acordo com as necessidades e práticas das instituições financeiras.
O objetivo da Taxonomia Febraban é facilitar a operacionalização, no contexto bancário nacional, de critérios de elegibilidade associados a contribuições ambientais, climáticas e/ou sociais, considerando a diversidade dos setores econômicos financiados e as diferentes práticas e sistemas adotados pelas instituições financeiras.
Cabe destacar, contudo, que a Taxonomia Febraban não pretende substituir outras taxonomias ou frameworks de finanças sustentáveis, tampouco estabelecer obrigações regulatórias ou desempenhar função de certificação. Trata-se de um instrumento de referência técnica e operacional destinado a apoiar as instituições financeiras na classificação, no monitoramento e na análise de suas operações sob a perspectiva das finanças sustentáveis.
Guia Explicativo da Taxonomia de Finanças Sustentáveis da Febraban
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