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FEBRABAN defende medidas para melhorar ambiente de crédito e reduzir spread

Reduzir o custo na inadimplência, modernizar o ambiente regulatório e ampliar a eficiência operacional são algumas das mudanças necessárias para reduzir o spread bancário no Brasil. As medidas foram defendidas por Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos no evento “Juros que poupo: como fazer os juros serem mais baixos no Brasil”. Organizado pelo INFI - Instituto FEBRABAN de Educação, em parceria com o Insper e a plataforma “Por Quê? Economês em bom português”, o encontro reuniu especialistas em São Paulo em 17 de maio para debater as razões de os juros brasileiros serem tão altos.

Que os juros e o spread bancário no Brasil são altos, todos concordam. E as razões que levam a esse cenário são diversas e complexas. A primeira delas é o cenário macroeconômico. O crescimento tímido da economia e as dúvidas com relação à situação fiscal do país, por exemplo, contribuem para a construção de um quadro de incertezas que impactam negativamente o volume e o preço do crédito. “A taxa de juros não é algo definido [arbitrariamente] pelo Banco Central. Ela reflete o funcionamento da economia”, disse Ana Paula Vescovi, ex-secretária executiva do Ministério da Fazenda e ex-presidente do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal, uma das participantes do evento realizado na última sexta-feira.

Para a economista, não dá mais para acreditar que o melhor caminho para fomentar o crescimento da economia seja aumentar a oferta de crédito ou a redução artificial dos juros. É preciso realizar reformas estruturais para que as taxas caiam de forma consistente. “A agenda fiscal é o maior desafio do governo para a manutenção da trajetória de queda da taxa de juros”, afirmou. “Ela está ligada ao maior equilíbrio entre os gastos do governo em relação ao PIB, uma das principais fontes de incerteza para o mercado atualmente.”

Os custos para fazer negócio no Brasil, o chamado custo Brasil, foi outro fator apontado pelos economistas para a manutenção do spread bancário brasileiro em patamares elevados. Para Marcos Lisboa, presidente do Insper, o crédito no país é caro, não porque os bancos tenham margem de lucro excessivas, mas porque é caro produzir aqui. “Crédito não é parte relevante dos resultados dos bancos: ele representa algo entre 10% e 15%”, disse. “Outras atividades, tais como previdência, seguros, mercado de capitais e gestão de ativos, trazem mais retorno.”

Murilo Portugal também rechaçou a ideia de que os juros altos são provocados pelos bancos, para ampliar seus lucros. O presidente da FEBRABAN apresentou dados do Banco Central, que mostram que apenas 14,9% do spread é composto pela margem financeira dos bancos. Outros fatores, como inadimplência (37,4%), despesas administrativas (25%) e tributos (22,8%) representam fatias bem maiores da composição geral do spread. 

Considerados um dos principais responsáveis pelo spread brasileiro, os custos relacionados à inadimplência receberam atenção especial de Portugal durante sua participação no debate. Segundo o executivo, a taxa de recuperação de créditos com garantias no Brasil está muito abaixo da registrada em outros países. De acordo com estudo realizado pela consultoria Accenture com um grupo formado por 13 países, no Brasil, os bancos recuperam apenas 15,9% do valor da garantia. Pior percentual entre as nações analisadas e muito abaixo da média, de 69%. Além disso, as instituições financeiras demoram cerca de 4 anos para recuperar os bens. Mais do que o dobro da média (1,8 anos).

Tornar a recuperação de garantias mais rápida e mais efetiva é uma das medidas apontadas para a redução do spread. No caso dos automóveis, por exemplo, a FEBRABAN propõe que seja feita a apreensão extrajudicial, desde que com autorização do cliente. “Assim, em caso de não pagamento do financiamento, os bancos poderiam retomar o veículo sem a necessidade de entrar com uma ação na justiça, o que reduziria os custos para recuperar o bem”, explica Portugal.

Outro caminho mencionado para auxiliar na redução do spread, desta vez pelo lado do consumidor, é a educação financeira. Para o professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Bruno Giovannetti, o baixo conhecimento dos brasileiros relacionado à gestão de seus recursos leva ao aumento dos juros na medida em que contribui para a alta inadimplência e para a falta do hábito de poupar.

No entanto, para resolver o problema não basta tornar as informações mais disponíveis para as pessoas. É preciso criar formas de se comunicar mais efetivamente com os diversos públicos. “As aulas tradicionais são pouco eficazes”, afirma o economista e professor. “Um dos caminhos para resolver o problema é simplificar o conhecimento; focar no problema e dar uma solução clara e objetiva para ele.”

Ele citou o exemplo de um grupo de microempreendedores atendidos por ele que tinha dificuldade para sair do vermelho. Uma análise da situação mostrou que a maioria deles misturava as finanças pessoais com as da empresa, o que dificultava o planejamento e a gestão financeira. A solução sugerida foi simples: abrir uma conta pessoal para os microempreendedores e transferir uma quantia para ela no início do mês. Esse montante seria o salário do empreendedor e poderia ser gasto com as despesas pessoais. O resto do dinheiro deveria ser usado exclusivamente para gastos com a empresa.  

Os participantes do debate concordaram em um ponto: a questão dos juros e spread bancário no Brasil está relacionada a um conjunto de problemas no ambiente de crédito do Brasil, e não será resolvida com uma única medida. “Não existe bala de prata. Para todo problema complexo existe uma solução simples... e errada”, conclui Ana Paula Vescovi.

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