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15/12/2022

Três quartos dos brasileiros acreditam que 2023 será um ano melhor

Pesquisas Observatório Febraban e RADAR Febraban mostram expectativa positiva da população e a satisfação da maioria com a vida

 

O ano de 2022 termina melhor do que começou para a maioria da população e o próximo começará com sentimento renovado de otimismo e esperança, apontam as pesquisas Observatório Febraban e RADAR Febraban. Quase oito em cada dez entrevistados têm sentimentos positivos quanto a 2023, sendo esperança, alegria e confiança os principais. A diferença entre os sentimentos positivos (76% dos entrevistados) em relação às expectativas negativas (23%) é significativa.

Ao mesmo tempo, a maioria dos brasileiros mostra satisfação com a vida que vêm levando e grande parte dos entrevistados avalia que houve melhora na sua vida pessoal e familiar em 2022 em comparação com 2021.

As duas pesquisas foram realizadas entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País. A 13ª Edição do Observatório FEBRABAN – Pesquisa Febraban-Ipespe investiga as expectativas da população do país para 2023 e a última rodada deste ano do RADAR Febraban, captura o balanço que a população brasileira faz de 2022.

O Observatório Febraban mostra que 74% da população crê na melhora de sua vida pessoal e familiar no novo ano e a maioria avalia que sua situação financeira já está se recuperando. Em 2023, mais da metade dos brasileiros presumem que estarão menos endividados.

As expectativas em relação ao país também são favoráveis, embora de modo menos expressivo do que na dimensão pessoal. Quase quatro em cada dez entrevistados consideram que a recuperação da economia já está em curso e mais da metade deles acreditam que o país estará melhor no próximo ano.

Da mesma forma, ainda que não atinja mais de 50% dos entrevistados, as expectativas sobre o novo governo são mais positivas que negativas: quase metade dos brasileiros prevê que a nova administração será ótima ou boa, embora o comportamento dos juros, do dólar e da bolsa de valores seja visto, entre outros, como eventual obstáculo que pode comprometer esse desempenho esperado.

A maioria dos ouvidos na rodada de dezembro do RADAR Febraban aponta progressos na relação com familiares e amigos e no uso de tecnologias e recursos digitais. Já a saúde física e mental, as finanças, e o trabalho são avaliados na perspectiva de menores avanços.

Quando avaliam a situação do país em geral, o número de brasileiros que acredita que o Brasil melhorou em 2022 em relação a 2021 é um pouco maior do que a percepção de aqueles que veem uma piora. Como área em que houve avanços apontam emprego e renda e, de outro lado, saúde permanece no topo dos problemas. Além da avaliação predominante de que os preços dos produtos aumentaram em relação ao começo do ano

A avaliação da situação financeira pessoal e sobretudo a visão sobre o país leva quase metade dos entrevistados a planejar menos compras de fim de ano do que em 2021, ao passo que cerca de um terço irá manter o nível de compra anterior.

“O Observatório Febraban mostra que a esperança é o principal sentimento em relação ao ano novo, sobretudo entre as mulheres. Também aponta perspectivas otimistas quanto à queda do desemprego, aumento do acesso ao crédito e do poder de compra, acompanhadas de uma atitude cautelosa em relação a taxa de juros e inflação/custo de vida”, avalia o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

 

Seguem os principais resultados dos dois levantamentos:

 

Observatório Febraban

Sentimentos positivos em relação a 2023

O novo ano chega renovando expectativas favoráveis, com sentimentos predominantemente positivos em relação à virada de ano (76%). Em todos os estratos sociodemográficos, a soma de sentimentos positivos em relação a 2023 passa de 70%, chegando a 85% entre os jovens de 18 a 24 anos e a 79% entre as mulheres.

  • Esperança:  desponta como o sentimento mais citado, com 38% das menções;
  • Alegria: é o segundo sentimento mais citado (19%);
  • Confiança: surge como terceiro sentimento predominante (13%);
  • Tranquilidade e orgulho: são citados por 4% e 2% dos entrevistados, respectivamente.

Sentimentos negativos em relação a 2023

Os sentimentos negativos não alcançam um quarto das menções (23%)

  • Desconfiança:  é o mais citado, mas por apenas 8%;
  • Medo: aparece em segundo lugar, com 7% de menções;
  • Tristeza:  sentimento é citado por 5% do total dos entrevistados.

 

Expectativas para a vida pessoal e familiar em 2023

As expectativas também são favoráveis em relação à vida pessoal e familiar no próximo ano. Entre os entrevistados, 74% creem que sua vida irá melhorar em 2023. Outros 11% imaginam que não haverá mudanças e 10%, mais pessimistas, acreditam numa piora.

A tendência também é de otimismo em relação à recuperação da situação financeira após a pandemia: 60% declaram que ela já está se recuperando, enquanto 23% vislumbram essa recuperação só depois desse ano. Poucos (9%) são os que avaliam que sua situação financeira não foi afetada e os mais pessimistas, que não vislumbram recuperação, somam apenas 3%.

A percepção de que a recuperação das finanças já está em curso (60%) apresenta oscilações importantes por faixa etária e escolaridade. Enquanto esse percentual é de 66% entre os de 18 a 24 anos, cai para 53% na faixa de 45 a 59 anos e 55% entre os que têm 60 anos ou mais.

  • Finanças: é o primeiro no ranking de aspectos da vida pessoal com mais chances de melhorar em 2023 (36%);
  • Saúde física: aparece em segundo lugar (28%) no rol de possíveis melhorias em 2023;
  • Saúde mental: fica em terceiro lugar (26%);
  • Trabalho ou emprego: teve 23% das menções;
  • Relações interpessoais: são citadas por 16%;
  • Lazer e entretenimento: tiveram 12% das menções;
  • Moradia: citada por 10% dos respondentes.

 

Expectativas sobre o endividamento

A expectativa positiva sobre a recuperação das finanças pessoais impacta sobre a projeção do endividamento: mais da metade dos entrevistados (56%) acredita que estará menos endividada em 2023 do que em 2022. Essa percepção é mais comum na faixa de 18 a 24 anos (64%) e menos frequente entre os que têm 60 anos ou mais (49%). Para 28% dos entrevistados, o seu nível de endividamento em 2023 permanecerá o mesmo que em 2022.

 

Expectativas sobre o País em 2023

O otimismo dos brasileiros também predomina em relação ao país, porém de modo menos expressivo do que em relação à vida pessoal e com dose de cautela. Mais da metade (55%) acreditam que em 2023 o Brasil vai melhorar. Na direção contrária, a piora do país é esperada por 26% dos pesquisados. Para 13% dos respondentes, o país vai permanecer igual.

Prevalece a opinião de que a economia só vai se recuperar a partir do próximo ano (45%). Pouco mais de um terço opinam que a economia já está se recuperando (39%). Uma parcela mais pessimista, que não enxerga perspectivas de recuperação econômica, é constituída por 8% dos respondentes.

 

Projeções para os primeiros seis meses de 2023

Essas projeções são permeadas por maior cautela. O placar das expectativas sobre taxa de juros e inflação/custo de vida mostra um empate entre os que acreditam que ficará como está ou irá melhorar, e aqueles que vislumbram piora.

Taxas de Juros: 49% creem que vai diminuir (25%) ou permanecerá igual (24%). Enquanto 48% acreditam que vai aumentar;

Inflação: 53% acham que o custo de vida vai diminuir (29%) ou ficará no patamar atual (24%).45% declaram que irá aumentar;

•  Acesso ao crédito: 72% creem que recursos para pessoas e empresas vão aumentar (40%) ou ficarão como está (32%). Ao passo que cerca de um quarto acredita em diminuição (23%);

Desemprego: 67% acreditam que vai diminuir (39%) ou ficará o mesmo (28%). Já para 31% o desemprego irá aumentar nos próximos seis meses;

Poder de compra: 62% apostam no aumento do poder de compra das pessoas (36%) ou na permanência no nível atual (26%). Enquanto 34% acham que irá diminuir;

 

Expectativas sobre o novo governo

Quase metade dos brasileiros (46%) acredita que o Governo Lula será ótimo/bom e outros 16% imaginam que será regular. Na outra ponta, pouco menos de um terço (31%) avalia que o novo Governo será ruim/péssimo.

Agenda da população para o próximo governo se sobrepõe, em várias áreas, à agenda dos principais compromissos abordados na recente campanha.

  • Educação: 20%;
  • Saúde: 17%;
  • Desemprego: 15%;
  • Fome e Miséria: 14%;
  • Inflação e Custo de vida: 13%;
  • Combate à Corrupção: 10%.

 

Entraves para o novo Governo

Cerca de um terço dos respondentes (33%) acredita que o comportamento dos juros, do dólar e da bolsa de valores será o principal obstáculo a ser enfrentado pelo novo Governo. Já a falta de apoio do Congresso aparece em segundo lugar, com 16% das menções. Em terceiro lugar (14%) como entrave que pode prejudicar o bom desempenho do próximo governo aparecem as manifestações e falta de apoio da população.

Relacionamento entre os demais poderes e outros setores

A expectativa a respeito do relacionamento entre o novo Governo, os poderes Judiciário (aqui representado pelo STF), o Legislativo (Congresso) e outros setores, é favorável, com saldos positivos em todos os itens avaliados. A perspectiva de uma relação ótima/boa é notadamente maior quanto ao STF (67%) e aos movimentos sociais (59%), caindo para 48% no caso dos bancos e mercado financeiro; para 40% com o Congresso; e para 37% com os empresários.

 

RADAR Febraban

Balanço de 2022, vida pessoal e familiar

A grande maioria dos brasileiros está muito satisfeita ou satisfeita (71%) com a vida que vem levando. De outro lado, cerca de um quinto da população (22%) se diz insatisfeita ou muito insatisfeita com a vida. Grande parte dos entrevistados (43%) avalia que houve melhora na sua vida pessoal e familiar em 2022 em comparação com 2021, enquanto para 35% a vida continuou igual. Os que percebem piora constituem a menor parcela, 21%.

  • Uso de tecnologias ou recursos digitais: 58% avaliam que houve melhoras em 2022;
  • Relações com companheiro(a), filhos, familiares e/ou amigos: 49% viram melhoras no ano;
  • Moradia: 57% disseram que não houve alteração em 2022;
  • Estudos e Cultura: 50% não sentiram mudanças;
  • Saúde física: 42% não ocorreram alterações;
  • Saúde mental: 40% não registram mudanças;
  • Finanças: 39% afirmam que ficou como estava e 28% identificaram piora e 32% disseram que melhorou.
  • Trabalho e emprego: 40% disseram que não houve alteração, 37% afirmam que melhorou e 21% disseram que piorou em comparação a 2021.

 

Expectativa de consumo

Diante do balanço das finanças em 2022, a expectativa para as compras de fim de ano é predominantemente pessimista: 46% dos entrevistados afirmam que irão comprar menos do que no ano passado, apenas 16% esperam comprar mais, e 35% dizem que manterão o padrão anterior.

 

Balanço do país em 2022

Colocando-se em perspectiva a evolução do país em 2022 no cotejo com 2021, a maioria considera que o Brasil melhorou (39%) ou ficou igual (25%), contra 34% que afirmam ter piorado.

Perguntados sobre em quais áreas o Brasil melhorou em 2022 Emprego e Renda ocupam o topo do ranking – única menção com dois dígitos, 19%.  As demais menções ficam abaixo de 10%, sem destaques. Chama atenção o contingente de cerca de um terço dos entrevistados (31%) que não cita qualquer área.

Já na designação das áreas que experimentaram piora em 2022, quatro menções se destacam com dois dígitos: Saúde com 16%, Inflação e Custo de Vida (13%), Fome e Pobreza (12%) e Emprego e Renda (12%).  As demais citações ficam abaixo de 10% no total.

Impacto da Inflação

 A segunda posição ocupada por Inflação e Custo de vida no ranking de áreas que pioraram/ tiveram mais problemas em 2022 é reiterada pela superlativa avaliação (79%) de que os preços dos produtos aumentaram muito ou aumentaram do começo do ano até o momento. Os itens mais impactados pela carestia são:

  • Alimentos e outros produtos de abastecimento doméstico: 68% das menções (em pergunta de múltiplas respostas);
  • Combustível: 30%;
  • Serviços de Saúde ou remédios: 22%;
  • Juros de cartão de crédito, financiamento ou empréstimo: 11%;
  • Planos de compra de veículos ou imóveis: 7%;
  • Pagamento da escola, faculdade ou outros serviços de educação: 6%.
  •  

Avaliação dos Bancos

Entre os brasileiros, a confiança nos bancos (59%) manteve-se relativamente estável, com oscilação positiva de dois pontos comparativamente ao levantamento de junho. Com relação às fintechs a confiança segue padrão semelhante, com oscilação positiva de dois pontos chegando a 57%. No que concerne às empresas privadas, o percentual de entrevistados que relataram confiança (50%) mantém-se no patamar observado na rodada de junho, após ter sofrido queda de 4 pontos percentuais.

A opinião sobre a contribuição positiva do setor bancário para o país e a população é reforçada. Houve aumento da percepção sobre a contribuição positiva em todos os aspectos, com variações de 2 a 5 pontos.

Permanece majoritária entre os entrevistados a percepção de contribuição positiva do setor bancário para o desenvolvimento da economia (56%), A contribuição para a geração de empregos é considerada positiva por 50%, o que representa um aumento de 4 pontos em relação ao RADAR de junho. A contribuição positiva para a melhoria da qualidade de vida das pessoas é reconhecida por 48% dos entrevistados, 3 pontos a mais que no levantamento anterior.

A opinião sobre a contribuição positiva do setor bancário para seu negócio ou para sua atividade profissional aumentou 5 pontos, chegando a 49%. Único item com leve redução na percepção positiva sobre a contribuição dos bancos, a ajuda para o país, a população e seus clientes enfrentarem a crise do coronavírus, obtém 49% de menções (eram 50% em junho).

 

Percepção sobre golpes e tentativas

Embora represente uma minoria, o percentual de entrevistados que relataram ter sido vítimas de golpe ou tentativa de golpe bancário (30%) se mantém no nível reportado na última rodada do RADAR, em junho de 2022.

Ressalte-se que o perfil etário das vítimas identificado nesse levantamento, concentrado entre os que têm 25 a 44 anos (34%), difere de resultados anteriores em que as principais vítimas tinham idade de 60 anos ou mais.

Embora permaneça como o tipo de golpe mais comum a clonagem ou a troca de cartão (48%), o percentual de citação é notadamente menor que em junho/2022 (64%). Por outro lado, cresce por mais uma rodada seguida a frequência do golpe em que alguém se passa por conhecido para solicitar dinheiro no WhatsApp (de 25% em junho para 30% em dezembro).

O golpe da central falsa praticamente manteve o percentual (24%). Os demais golpes representam 10% ou menos do total. E quem são as principais vítimas dos golpes?

• O golpe da clonagem ou troca de cartões foi mais relatado pelos homens (49%), com renda de mais de 5 SM (56%), com nível de instrução médio (53%) e idade entre 18 e 24 anos (53%).

• Sobre o golpe do WhatsApp, em que alguém se passa por um conhecido e solicita dinheiro, é mencionado sobretudo pelos respondentes com renda entre 2 e 5 SM (31%), com nível de instrução superior (36%), com idade entre 25 e 44 anos (34%) e mulheres (31%).

•  O golpe da central falsa ocorre sobretudo entre pessoas com 60 anos ou mais, (30%), mulheres (26%) e com renda entre 2 e 5 SM (26%).

• O golpe do leilão ou loja virtual é mais frequente entre pessoas com idade de 18 24 anos (12%), com idade de 25 a 44 anos, 45 a 59 anos, com nível de instrução médio e com renda entre 2 e 5 SM (10%, em todos esses segmentos).

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A íntegra do 13º levantamento Observatório Febraban, pesquisa FEBRABAN-IPESPE pode ser acessada neste link. O recorte regional poderá ser lido neste link.

A íntegra do levantamento de dezembro do RADAR Febraban, pesquisa FEBRABAN News-IPESPE pode ser acessada neste link. O recorte regional poderá ser visto aqui.

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O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, comentará a pesquisa em entrevista, que poderá ser acessada a partir das 11hs no LinkedIn, no YouTube da FEBRABAN e na plataforma FebrabanTech.

 

 

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