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Bancos discutem como superar obstáculos para impulsionar projetos de energia solar fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica tem enorme potencial no Brasil: hoje representa 0,8% da capacidade instalada em operação no Brasil e pode alcançar 32%; mas precisa eliminar gargalos importantes. O tema foi discutido no 55º Café com Sustentabilidade, evento realizado pela FEBRABAN com bancos e instituições do setor

Diversificação da matriz elétrica, menos emissões de carbono na atmosfera, geração de empregos, redução de perdas com transmissão e aumento da segurança energética. Esses são apenas alguns dos benefícios que a ampliação do uso de energia solar fotovoltaica pode trazer. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a fonte, que hoje representa 0,8% do total de potência instalada em operação no Brasil, pode chegar a 32% em 2040. No entanto, gargalos importantes, como a dificuldade de acesso a financiamento e questões regulatórias e tributárias impedem o desenvolvimento desse potencial. O tema foi discutido no 55º Café com Sustentabilidade, evento realizado pela Diretoria de Relações Institucionais da FEBRABAN em agosto. 

A vocação brasileira para o uso de energia solar fotovoltaica não é novidade; e a comparação com outros países nos permite ver como ela ainda é subutilizada no país. De acordo com dados da Bloomberg News Energy Finance (BNEF), a irradiação solar anual no Brasil varia de 1.500 KWh a 2.400 KWh por metro quadrado. Na Alemanha, um dos líderes mundiais na utilização da fonte, a área com maior irradiação tem desempenho 20% abaixo do que a área com a pior irradiação por aqui.

Além de ser uma fonte de energia limpa e renovável com impactos ambientais menores do que o de outras geradoras, como as usinas hidrelétricas, a adoção da fonte também tem um impacto econômico significativo. De acordo com o “Renewable Energy and Jobs 2018”, relatório produzido pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), a energia solar fotovoltaica é, ainda, a maior geradora de empregos em setores de geração de energia renovável do mundo. Ela cria de 25 a 30 postos de trabalho diretos para cada MW instalado por ano.

“A fonte pode ser um vetor de desenvolvimento de pequenas comunidades que não costumam receber atenção de políticas públicas e não têm potencial para desenvolvimento de outras atividades econômicas”, diz Rodrigo Marcolino, membro do conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Mesmo com as dificuldades existentes, a fonte tem avançado no Brasil. Em 2017, o país ficou, pela primeira vez, entre as dez nações que mais adicionaram potência instalada em geração solar fotovoltaica à matriz elétrica.

Mas com tantos aspectos positivos, por que a adoção de energia solar fotovoltaica não decola no Brasil? Segundo Marcolino, faltam opções competitivas de financiamento, especialmente para clientes pessoa física. “As condições atuais dos financiamentos, como taxas de juros, carência e prazo de amortização, precisam ser melhoradas, de forma que o custo da operação esteja alinhado com a economia trazida pelo projeto”, explica. “A estrutura de garantias também precisa ser mais leve.”

Para ajudar a desatar esse nó, a FEBRABAN encomendou ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) um estudo sobre “Financiamento para Energia Solar Fotovoltaica em Geração Distribuída no Brasil”, destinado a analisar a viabilidade do financiamento para projetos dessa fonte de energia, identificar as principais barreiras e propor alternativas para melhorar substancialmente os modelos de operações vigentes. O objetivo foi aumentar o potencial de financiamento a essa fonte de energia e, para isso, foi criado um modelo de análise integrada de risco, que poderá ser usado pelos bancos na avaliação de financiamento de projetos de energia solar fotovoltaica.

Segundo Paula Peirão, gestora do programa de Finanças Sustentáveis do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, um dos entraves para a concessão de crédito é a incompatibilidade entre os aspectos técnicos dos projetos e as políticas das instituições financeiras. “O modelo desenvolvido pela FEBRABAN pretende diminuir essa disparidade para que mais projetos tenham acesso a crédito.”

A aplicação do modelo muda o paradigma da análise: o cálculo do risco passa a considerar a operação como um todo, incluindo o risco técnico do projeto, além do perfil do tomador.  Ampara empreendedores e desenvolvedores na medida em que cria um padrão de atributos técnicos dos projetos que precisam ser incorporados ao processo de solicitação de financiamento. Na prática, em lugar de analisar apenas o risco do cliente que pede financiamento, o banco poderá levar em conta o potencial de cada projeto, cuja viabilidade e prazo de maturação podem facilitar a concessão de crédito.

“A metodologia possibilita que os bancos tenham acesso a mais informações sobre os projetos, o que reduz o custo das operações”, explica Luiz Serrano, consultor do BID responsável pela aplicação do modelo em caráter de teste. “Além disso, o modelo possibilita o uso de outras garantias do projeto, reduzindo a necessidade de garantias reais, sejam do empreendedor ou da empresa.”

Rodando em caráter de teste desde julho, o modelo foi bem recebido pelos bancos. Ele precisa ser calibrado de acordo com as políticas de risco e de crédito de cada instituição financeira.

Um dos obstáculos identificados para o aumento do volume de crédito a projetos de energia solar fotovoltaica é o baixo volume de operações de financiamento a essa atividade nos bancos. Segundo Eduardo Nagura, superintendente da área de Financiamento de Projetos do Santander, a falta de track record (histórico de desempenho) desse tipo de operações dificulta a análise por parte das instituições financeiras. “Seria possível precificar melhor esse tipo de operação, se houvesse uma base considerável de projetos já financiados.”

Do ponto de vista operacional, há a necessidade de investimento em estrutura para análise de risco dos projetos de energia solar fotovoltaica. Buscando solucionar esse problema, o Santander estuda criar uma área específica, só para avaliar os pedidos de financiamentos. “Recebemos de 15 a 20 pedidos de crédito para esse tipo de projeto toda semana. Precisamos de gente dedicada, para dar vazão a essa demanda”, conta Nagura.

A criação de novos produtos financeiros para fazer frente aos diversos tipos de projetos de geração solar fotovoltaica é outro aspecto que merece atenção. Para o gerente executivo da Caixa Econômica Federal, Morenno Macedo, a construção deste novo portfolio passa pela articulação de todos os departamentos do banco. “Nós temos alguns produtos, mas não são dedicados; diversas áreas do banco estão trabalhando em conjunto para mudar isso.”

A Caixa deve lançar em setembro um programa de incentivo para negócios sustentáveis, grupo que inclui projetos de geração solar fotovoltaica. A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro com taxas de juros mais atrativas. “Além disso, é preciso considerar outras opções de funding para esse tipo de projeto, como o mercado de capitais; não só financiamento direto”, afirma Macedo.

O estudo “Financiamento para energia solar fotovoltaica em geração distribuída”, elaborado com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), estará disponível no site da FEBRABAN a partir do dia 12 de setembro.

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